Semana passada bati um papo muito bom com o Flavio Pripas, sócio-fundador da byMK. Minha ideia original era fazer uma entrevista sobre a rede social que ele fundou junto com o Renato Steinberg, mas o Flavio está tão por dentro do empreendedorismo no Brasil que foi impossível não estender a entrevista.
O Flavio é um dos organizadores do evento BRNewTech, cuja ideia é criar uma plataforma de encontro entre empreendedores de alto impacto e trazer a cultura empreendedora do Vale do Silicio para o Brasil, principalmente a questão de compartilhar para crescer. Se você possui uma startup ou pretende empreender no meio digital, acesse o site do BRNewTech e participe.
Abaixo você pode acompanhar a entrevista que fiz com o Flavio sobre empreendedorismo no Brasil e sobre o byMK, que é uma rede social de moda cujo grande barato é uma ferramenta para criar looks com peças de roupa e compartilhar este look com outros usuários. A rede está há quase 3 anos no ar e possui 700 mil visitas únicas por mês.
1. O que é o byMK e qual o público-alvo?
O byMK é uma rede social brasileira de moda e estilo, onde os usuários podem criar seus próprios looks com as peças que são colocadas no site pelos nossos parceiros ou que são capturadas da Internet pelos próprios usuários, podendo compartilhar opiniões, criar contatos e exercitar sua criatividade.
Desde o início o site foi se moldando conforme o uso que os usuários fazem dele. Então, como se tratava de um site sobre moda, provavelmente nosso público-alvo seria de mulheres, mas nunca nos preocupamos em definir isto. Hoje, segundo pesquisa realizada em maio de 2010, 97% do público são de mulheres, de 15 a 40 anos de idade, solteiras e a maioria pelo menos com o ensino fundamental completo, pertencentes as classes A e B.
2. Como surgiu a ideia e como ela evoluiu?
O byMK surgiu em agosto de 2008. Eu fui trabalhar com o Renato (meu atual sócio) numa corretora em São Paulo e nossas esposas se conheceram. Elas queriam abrir uma loja de roupas e nós tivemos a ideia de, ao invés de abrir uma loja física, fazer um site, pois era mais barato e tanto eu quanto o Renato, que temos background em tecnologia e não colocávamos a mão na massa há quase 10 anos, poderíamos treinar desenvolvimento.
O site começou como uma brincadeira, nós trabalhávamos às noites e nos finais de semana, ainda mantendo nossos empregos, e não queríamos gastar muito dinheiro no site. Por isto desenvolvemos todo o projeto com o conceito de que não queríamos gastar dinheiro para gerar conteúdo, o que nos levou a fazer ferramentas para que os próprios usuários pudessem ir em qualquer site da internet, pegar uma peça de roupa, combiná-la em um look e compartilhar este look para que outros usuários pudessem comentar. E isto foi uma grande sacada, pois assim o site pode se auto-alimentar.
No início de 2009 percebemos que o projeto tinha potencial - o site começou a crescer exponencialmente e havia muita gente falando sobre mídia social/redes sociais - e tivemos que tomar uma decisão: ou parava ou continuava o projeto. Então estamos deste abril de 2009 nos dedicando tempo integral ao byMK.
3. Quais foram os primeiros passos para tirar a ideia do papel?
O primeiro passo foi colocar uma versão do byMK no ar em agosto de 2008. Esta versão já tinha praticamente todas as características que a rede possui hoje, como a forma interativa de montar os looks.
O que mais evoluímos ao longo deste tempo foi o nosso modelo de negócios, pois quando percebemos em 2009 que o projeto tinha potencial não sabíamos ainda como poderíamos ganhar dinheiro com o byMK.
4. Quais as maiores dificuldades que tiveram desde o início?
Como estamos trabalhando com um modelo novo e inovador há muitas oportunidades e coisas novas e diferentes que podem ser feitas. Assim, desde o início temos muitas coisas para desenvolver e testar, e definir o nosso foco é um desafio em meio a tantas possibilidades.
Outra dificuldade é que não tínhamos nenhuma rede de relacionamentos no mundo de internet/startups. Mas hoje esta é uma dificuldade que foi vencida através da realização de eventos (BRNewTech)
5. Qual o modelo de negócios do byMK?
O byMK oferece diferentes modelos de publicidade integrados com a experiência do usuário ao montar seu look. Alguns exemplos são produtos em destaque, um canal personalizado para a marca se comunicar com seus consumidores e concurso de looks, onde os usuários combinam produtos de uma loja para montar seus looks e concorrer a prêmios.
Mais informações em: http://www.bymk.com.br/Publicidade/
6. Conte um pouco sobre como foi conseguir o primeiro cliente.
Em maio de 2009, como o site começou a ser bem visitado, recebemos um telefonema de uma agência querendo colocar um banner no byMK. E na época não queríamos trabalhar com banners, queríamos fazer formatos diferentes de publicidade dentro da rede.
Então fizemos nossa primeira ligação para um potencial cliente, que era concorrente do cliente que esta agência estava trazendo. Uma semana depois estávamos com uma campanha das lojas Renner no ar, onde as pessoas podiam criar looks com as roupas da loja. E a campanha foi um sucesso: em uma semana haviam sido criados 1264 looks com as peças de roupa da loja.
7. O que podemos esperar de novidades no byMK?
Vamos colocar uma nova vertical de conteúdo dentro do byMK, pois há muita discussão rica sobre moda em torno dos looks, mas não existe conteúdo, e vamos acrescentar uma outra forma de criar looks em modelo virtual.
Também pretendemos internacionalizar a rede, disponibilizando a experiência de criar e compartilhar looks em outros idiomas, uma vez que há poucos concorrentes lá fora. E recentemente fechamos uma parceria com a GNT, da Globo, e juntos vamos lançar o byMK no iPAD.
8. Está mais fácil empreender hoje do que quando começaram o byMK? Como você avalia o cenário atual no Brasil?
Empreender não é fácil, pois todo o desenvolvimento da empresa depende de você, o que é muito diferente de você trabalhar no mercado corporativo. Mas hoje os ambientes macroeconômico, microeconômico, de investimento e assim por diante estão mais propícios para o empreendedor.
Quando começamos haviam poucos programas de mentoria e não tinha tanto investidor olhando para o Brasil. E este ano de 2011, a nível de investimentos, temos ouvido conversas que não ouvíamos no ano passado. Então a situação está ficando cada vez melhor para quem quer empreender.
Na minha opinião vai acontecer um cenário estranho no Brasil, não sei se neste semestre ou no primeiro semestre de 2012, onde a liquidez do mercado vai ser maior do que projetos a serem investidos, porque tem muita gente levantando fundo. E há dois desfechos possíveis:
- Termos muito investimento em empresas que estão em estágio inicial, o que geraria um boom de inovação e seria ótimo;
- Ou todo este dinheiro será de private equity, indo para empresas já consolidadas, e aí o ambiente não vai mudar de patamar como deveria.
9. Como você compara o Brasil com o cenário lá fora?
Quando falamos em Vale do Silício, lá não há tanta aversão ao risco quanto existe aqui e, além disso, estamos um pouco atrás em termos culturais nas questões de compartilhar modelos de negócio, de encontrar oportunidades de crescimento conjuntas, de falar de startups e de teste de hipóteses e de considerar o fracasso como uma etapa de aprendizado.
Outro ponto importante é que lá fora existe muito incentivo governamental para empreendedorismo de alto impacto, onde governos pagam para uma empresa se alocar em seu país para que ela possa crescer ali dentro. Isto acontece muito no Chile, Espanha, Itália, Noruega, etc, mas não acontece aqui no Brasil.
Aqui está começando a ter muito dinheiro disponível, mas os investidores não sabem como alocar este dinheiro. A liquidez está muito grande, mas ainda há uma forte aversão ao risco, principalmente com modelos de negócio não provados.
O que eu espero ver mudar aqui é a propensão dos investidores em arriscar e a colocar dinheiro em um modelo de negócio que ainda não está provado. E, se isto começar a acontecer, vai ser um ganho para todo mundo.
10. Você acha que falta originalidade para as startups brasileiras?
Não adianta analisar se a ideia é original ou não. Acho que é através da execução que você vai achar um problema que ainda não foi solucionado. Então acho que esta discussão, se a ideia é original ou não, não tem valor. O que importa é o valor do problema que você está resolvendo no mercado e se você resolve melhor do que os outros.
11. Qual o seu conselho para quem pretende ou está construindo uma rede social de nicho?
Trabalha bastante e testa o que vai fazer para ver se dá certo. Deu certo continua, não deu joga fora.
Um conselho que tenho dado bastante ultimamente e que se encaixa muito bem no que aconteceu conosco é procurar olhar mais para o lado de uma nova escola de empreendedorismo chamada Effectuation, que é uma escola voltada para empreendedores que trabalham com modelos de negócio ainda não provados.
O modelo do Effectuation se baseia em 4 pilares: Perda suportável; Teste de possibilidades; O futuro é imprevisível; Crescer através de parcerias.
Visão geral
| Nome: | byMK |
| Lançamento: |
agosto de 2008 |
| Usuários cadastrados: | 250 mil |
| Visitas mensais: | 900 mil |
| Funcionários: | 7 |
| Faturamento previsto 2011: | não divulgado |
| Site: | www.bymk.com.br |
Um abraço,
Danilo Campos
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